sábado, junho 19, 2010

O que nem uma píton consegue devorar

Eu subi as escadas devagar. Nem acreditei! Fugi do tédio, da televisão que não me oferece absolutamente nada, do mal que o computador me faz quando me aprisiona em sua tela que pisca, do quão incontrolavelmente pirada eu me sinto com tudo isso. E sorrateiramente corri pelos degraus. Infantil, com medo dos monstros, até não poder mais!
Ainda bem que ninguém questionou uma vírgula e o quarto já estava escuro. Foi só tirar os sapatos e esperar, ainda sentada sobre o colchão, por algum sinal divino que pudesse me tirar da insanidade já mencionada. E porque eu queria me livrar tanto dela, é possível perceber quando eu finjo que me deito em paz.
O medinho ao me esconder da realidade na trincheira de cobertores (e o frio dos lençóis, anda mais perceptível quando você já deitou em lençóis quentinhos) não surpreendeu, e como espero desses temores me recuperar, para um dia casar sem loucuras aparentes que seriam motivos claros para um divórcio, não verifiquei assustada embaixo da cama para me garantir contra qualquer píton birmanesa. Até pensei: e se houvesse uma arrastando-se gorda perto de mim, seria ela o ser (ou a causadora da sensação) que me libertaria desse aparente delírio?
Eu teria que me unir a alguma seita maluca? Simular uma ficção em que o pensamento não fosse arma nem escudo? Largar dessa de querer descobrir as verdades, as mentiras e o que ninguém imagina que ainda pode ser descoberto? Ou algo que fosse de fora pra dentro; encher de símbolos a pele toda que já carrega pintas e cicatrizes em abundância? Filar um comprimido dos remédios da prateleira tarja preta de papai? O que me faria ser feliz sem amarras, em liberdade, não o contrário? VOCÊ?

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