quarta-feira, junho 20, 2012

Torção de massa cinzenta

Sinto muitíssima falta de escrever, de tirar um dia todo, ou pelo menos algumas horas, para rever tudo o que está em minha cabeça e exteriorizar o que mais me importa, do meu jeito.

Escrever é como pegar uma esponja encharcada, pesada, e apertá-la até não sobrar mais nenhuma gota.

Meu crânio poroso, meu precioso crânio poroso, que tanto absorve. Está na hora de deixar essa água suja ir embora.
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Sou um indivíduo repulsivo. Intragável, evitado, e quando infelizmente visitado, de preferência sob efeito de tranquilizantes, portanto emudecido. Enfim, solitário com S de solidão.

Estou vivendo uma mudança que necessita de mais caixas, caminhões e containers do que existem na Terra para ser aceita de fato. Pesa muito, são oceanos de lágrimas engolidas resultando em fortes dores de garganta diárias. Fuga de desabafos, eu finjo que é por medo de julgamentos, mas sei muito bem: tenho pavor de por acaso não ser ouvida justamente agora.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Preciso estudar

Quero deitar, quero dormir, fingir que com descanso minha vontade vai voltar.

E que meus olhos não vão querer pular de minhas órbitas para rolarem o mundo.

Talvez eu precise entender, que vai ser assim.

Uma vírgula ou outra sempre fora do lugar...

terça-feira, dezembro 06, 2011

Frustração?

Se por um ângulo é feia, por nenhum pode ser bonita.

O ritual diário e solitário em frente ao espelho. Tenho que puxar mais o tecido, apertar os fechos, comprimir sem dó ossos e adjacentes, ajustar a roupa justa, e, que justiça seja feita, apelar para a fome.

Eu queria enxergar nisso uma perfeccionista doente, mas o que há de errado em querer estar bem?

Mas ninguém perdoa: caber nesse modelito ideal não satisfaz nem o tecido esgarçado nem a imprópria manequim.

quarta-feira, outubro 26, 2011

É verdade

Não tenho nem como pedir desculpas por passar tanto tempo sem escrever. Sempre sou eu quem mais perde por deixar notas e rodapés criativos apenas como notas e rodapés. Alguém discorda?

Vou me alongar na conversa (monólogo) hoje porque eu quero.

Segunda a sexta (basicamente): são horários sem brilho. Eu tento comer alguns papéis, o dedo ossudo do cotidiano cutuca minha garganta e eu vomito meus defeitos em um pequeno espaço pré-determinado.

Claro que alguns momentos têm sim sua graça, o espírito da alegria em si para levantar meu sorriso. Quando caio na realidade (sempre achei realidade um nome tão ilusório) e nos rostos vazios à minha volta, caio na tristeza.

Odeio chegar, odeio partir. Em todas, e eu disse todas, as situações.

Sábado: mais uma mentira. Às vezes um sonho que faz meu cérebro virar manteiga, outras vezes um pesadelo de rochas no meu crânio.

Domingo: fico na cama o dia inteiro. Não levanto.

terça-feira, agosto 09, 2011

Aí está

Eu escrevi um milhão de cartas, mas não eram bem pra você. Na minha voz o que eu queria dizer, a caligrafia ajustada para que você entendesse. Mas não você não era, e nunca será, o leitor adequado.

O que faço agora? Queimo o papel, a beleza das letras deslizadas com carinho?

Posso me sentir bem com o seu agora sofrimento?

O que passou sumirá, só por que o agora ‘sofreu mudanças’? E deus, por que tantas perguntas?