terça-feira, fevereiro 14, 2012

Preciso estudar

Quero deitar, quero dormir, fingir que com descanso minha vontade vai voltar.

E que meus olhos não vão querer pular de minhas órbitas para rolarem o mundo.

Talvez eu precise entender, que vai ser assim.

Uma vírgula ou outra sempre fora do lugar...

terça-feira, dezembro 06, 2011

Frustração?

Se por um ângulo é feia, por nenhum pode ser bonita.

O ritual diário e solitário em frente ao espelho. Tenho que puxar mais o tecido, apertar os fechos, comprimir sem dó ossos e adjacentes, ajustar a roupa justa, e, que justiça seja feita, apelar para a fome.

Eu queria enxergar nisso uma perfeccionista doente, mas o que há de errado em querer estar bem?

Mas ninguém perdoa: caber nesse modelito ideal não satisfaz nem o tecido esgarçado nem a imprópria manequim.

quarta-feira, outubro 26, 2011

É verdade

Não tenho nem como pedir desculpas por passar tanto tempo sem escrever. Sempre sou eu quem mais perde por deixar notas e rodapés criativos apenas como notas e rodapés. Alguém discorda?

Vou me alongar na conversa (monólogo) hoje porque eu quero.

Segunda a sexta (basicamente): são horários sem brilho. Eu tento comer alguns papéis, o dedo ossudo do cotidiano cutuca minha garganta e eu vomito meus defeitos em um pequeno espaço pré-determinado.

Claro que alguns momentos têm sim sua graça, o espírito da alegria em si para levantar meu sorriso. Quando caio na realidade (sempre achei realidade um nome tão ilusório) e nos rostos vazios à minha volta, caio na tristeza.

Odeio chegar, odeio partir. Em todas, e eu disse todas, as situações.

Sábado: mais uma mentira. Às vezes um sonho que faz meu cérebro virar manteiga, outras vezes um pesadelo de rochas no meu crânio.

Domingo: fico na cama o dia inteiro. Não levanto.

terça-feira, agosto 09, 2011

Aí está

Eu escrevi um milhão de cartas, mas não eram bem pra você. Na minha voz o que eu queria dizer, a caligrafia ajustada para que você entendesse. Mas não você não era, e nunca será, o leitor adequado.

O que faço agora? Queimo o papel, a beleza das letras deslizadas com carinho?

Posso me sentir bem com o seu agora sofrimento?

O que passou sumirá, só por que o agora ‘sofreu mudanças’? E deus, por que tantas perguntas?

sexta-feira, julho 29, 2011

Imaginação tediosa

Abro os olhos, um pouquinho, acordo. Fecho os olhos, volto a dormir. Me aninho entre os lençóis, os cobertores e os travesseiros, coisas velhas, tudo gasto. Tudo ainda quentinho. Uma das melhores sensações do meu dia, senão a melhor, a mais confortável de longe, onde me preocupo só e absolutamente só com o meu prazer, com o meu bem-estar, com o que eu quero. Não finjo nada, não me pressiono, sou só eu. Me enrolo e aperto tudo em volta de mim, não importa se eu estiver suja, feia e desarrumada.

Nem gosto tanto de me espreguiçar, abrir os braços e me esticar. Sou mais de alongar o pescoço, os ombros e as costas me torcendo na cama, parafusando e desparafusando.

O quarto nunca está totalmente escuro. Uma falha na porta, duas frestas na janela e a fechadura da porta do banheiro, ainda que o outro lado tenha chave.

Acordo (finalmente) e não sei como. Tateio na bancada ao lado da cama, derrubo porta-retratos, encosto em potes de creme, dou socos em bichinhos e pelúcia e apanho os óculos. Procuro no chão chinelos de dedos, vou ao banheiro e faço o que tenho que fazer, ainda que não tenha vontade, lavo as mãos muito bem e vou à cozinha.

Abro a porta da cozinha e ainda como um zumbi, espio para ver se o jornal do dia está em cima da mesa, fechado no plástico. Amo os dias em que eu sou a primeira a ler, mas são raros. Normalmente alguém já abriu, leu algumas partes e dobrou de volta.

Abro o primeiro armário de uma fileira no alto, que é o armário com minha coleção de canecas, e penso no dia que terei pela frente. Esse ritual me desperta um pouco. Analiso se dois gatos pretos de Salem, uma obra de Picasso, um dragão mexicano, a Hello Kitty ou artistas do Cirque du Soleil serão mais apropriados ao meu humor. Escolho uma, encho de leite frio e coloco no microondas, que deixo desligado.

Arrumo a louça que preciso para o café-da-manhã. Um prato de sobremesa, um pires, uma faca de sobremesa e uma colher de chá. Também um canudo, de uma embalagem com quatro opções de cores neon: verde, laranja, amarelo e rosa. Costumo usar bastante o rosa, quase todos os dias, o verde quando o dia será cheio de paixão, o amarelo quando quero dinheiro e o laranja apenas para manter o equilíbrio entre as quantidades. Não gosto de canudos laranjas.

No armário de baixo pego achocolatado em pó. Aquele bom, que já vem com açúcar. O achocolatado que me acompanhou com certeza a vida toda.

Pego o requeijão na geladeira. Adoro requeijão consistente, que não escorre. Tenho comprado mais desse marca em especial, as embalagens de vidro são bonitinhas. Abro um saco de bisnaguinhas e coloco três, exatamente três, no meu prato. Me sento para prepará-las.

Quando estão prontas, levanto e ligo o microondas. Costumava deixar por um minuto e dez segundos, agora coloco sempre por um minuto e dezessete segundos. Corro para sentar assim que aperto o botão LIGAR.

Eu como só uma bisnaguinha durante esse tempo, melecando-a de requeijão nas laterais e lendo o jornal com atenção.

O microondas apita, eu pego com cuidado a caneca, coloco-a no pires. Enquanto como a segunda bisnaguinha, despejo generosas quatro colheres e meia de achocolatado. Quando era mais nova (e menos... apta a agüentar bebidas fortes), eu colocava apenas três, e hoje ponho até cinco quando o dia parecer muito longo.

Se puder, passo a manhã inteira, quase uma hora, lendo todo o jornal, todos os cadernos e muitas, muitas reportagens, matérias e crônicas.




Esse retrato do meu despertar e café-da-manhã não está correto. Há muitas partes que eu simplesmente não sei descrever, pois não me lembro do que faço com precisão. Só sei que faço tudo automaticamente e do mesmo jeito precisamente todos os dias.