segunda-feira, janeiro 05, 2009

7+7, 6+8, 9+5, 13+1

Minha tradição é criar um texto para o meu aniversário, um romance, crônica ou poesia que me satisfaça e que eu possa me dar como presente. Para fechar com chave de ouro os meus 13 anos (2008 foi um ano inesquecível em todos os sentidos), nada melhor do que eu mesma:

Se penso em minha mente, em como é minha cabeça por dentro, o que imagino? A princípio, um nada, um branco de propaganda de sabão em pó infinito. Olhando com mais atenção, eu vejo a verdade, e é um tremendo choque olhá-la. Uma precipitação atmosférica (ou chuva) torrencial de informação está ali, e levam-se alguns segundos para se acostumar a esta visão.
São duas partes separadas, totalmente diferentes. A da direita é uma praia calma ao final da tarde, a da esquerda um lugar animado, talvez uma balada, ou um lugar com muita gente e muito colorido. Eu estou dividida entre esses lugares: do lado direito visto meu jeans dobrado para fora, meu All Star clássico e uma pólo preta; do lado esquerdo visto uma minissaia jeans cinza, uma pólo coloridíssima e uma sandália de salto. Do lado esquerdo ouço no máximo Aerosmtih, The Rolling Stones, Queen, Madonna, AC/DC, Kiss... Do lado direito ouço baixinho Pink Floyd, Amy Winehouse, Elton John, Supertramp, David Bowie, Eric Clapton.... Em ambos os lados, meu cabelo está legal (sabe como, da cor que é) e minha medalha do exército pendurada no pescoço. Nem sempre estou com as mesmas pessoas, com o mesmo jeito, com os mesmo pensamentos, com o mesmo rumo, com a mesma vontade, com o mesmo por que, nem sempre igual. Mas sempre eu.

Explicação ‘complicada’ (péssima!), cheia de interpretações, que só confunde ainda mais a cabeça do inocente leitor. Talvez porque eu deixei muito com a minha cara. O que quero dizer é que, apesar de ser feita de dois extremos tão diferentes (ou não), eu junto os dois numa só pessoa, numa só cabeça, numa só mente. O que resulta disso, eu conheço melhor do que ninguém. Orgulho-me de andar por aí sendo esse resultado.

Um dia desses, fiz um desenho tosco, para passar o tempo, num jogo americano de papel numa lanchonete qualquer. Estava totalmente esfomeada, esperando meu hambúrguer de picanha e despistando a gula com suco de laranja. O desenho não tem sentido, é mal-feito, impensado... Mas até que ponto?
Olhando melhor, é a minha mente no papel (!). É totalmente lógico, seguindo um padrão, de duas cores, de dois jeitos, parece ser um rabisco mas é uma obra de arte, independente do mundo ao seu redor e também baseado nele, com falhas corriqueiras que só o atrapalham se o crítico não tiver paciência de ver, ao mesmo tempo perfeito e imperfeito... 2 em 1... Um paradoxo irresistível...



Desenhei também meu famoso jacaré (para ver a versão 2008 e entender o significado do jacaré, vá ao primeiro post de Janeiro de 2008), sem dúvida é ele o meu amuleto desse ano!

quarta-feira, dezembro 31, 2008

'Por que eu ainda gosto dele?'

Baseado em fatos reais, em uma história dura, em confiança e a falta dela. Obrigada!

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Mais de quatro da manhã, talvez (as duas estão sem relógio), são amigas reais, daquelas que se entendem numa palavra. Não tinham sono. Se tinham, não queriam dormir. A mais velha e mais baixa já havia contado para a mais nova e mais alta tudo que lhe preocupava demais e que nunca tinha contado para ninguém. Tinha ficado decididamente mais leve. Estava na vez da outra.
–Tudo bem, eu te conto tudo que você quer saber, mas pode parar de olhar pela janela um instante?
–Pode ir falando, é que eu não gosto de olhar muito nos olhos das pessoas, acho que tira a concentração. – apesar de seus pensamentos flutuarem como nuvens, a quilômetros de distância daquele quarto, ela fez força para não perder um detalhe do que a amiga dizia.
Suspirou. Ela olhou pela janela.
–Por que eu ainda gosto dele?
“Eu não sei direito, vou te dizer. Ele não era totalmente desconhecido, fomos apresentados virtualmente por um amigo nosso. Acho que eu sempre gostei dele, nunca na mesma intensidade, mas sempre tive uma afinidade com ele, desde o primeiro oi. No começo conversávamos durante cinco minutos depois por três horas, sempre que possível, sem pretensões de nada mais sério do que uma amizade pelo computador. Na verdade, nunca imaginei que rumo isso tomaria. Para mim, correr depois de chegar da escola para ligar o computador e poder finalmente falar com ele era rotina. Eu não queria saber se eu sorria para a tela do computador ou se o coração batia mais acelerado, isso nunca foi uma questão em minha cabeça. Era totalmente natural conversar e conversar com ele.
“Nós ríamos muito, contávamos segredos, discutíamos amigavelmente sobre nossos gostos. Eu começava a gostar dele, mas não contei dessa amizade para ninguém, porque, no meu inconsciente, sabia que ele ia querer outro MSN, conversaria mais com outras pessoas e me deixaria de lado...
“Nunca tive curiosidade em ver o rosto dele, mas isso não me importava, era legal não ter uma primeira impressão dele só por causa da aparência. Se eu gosto dele, é somente pelo que foi construído apenas com palavras. E que palavras! Eu adorava, e continuo adorando, tudo o que ele escreve.
“Só me dei conta do quanto eu gostava dele quando soube que ele arranjou uma namorada. Ai, como doeu!
“Foi uma dor difícil de explicar, um misto de perda e solidão e ciúme, mas eu não entendia direito que diabos de perda era aquela, se ele nunca tinha sido meu. Com o tempo eu refleti mais e percebi que conversar com ele era algo que fazia parte da minha vida e eu podia dizer tranqüilamente que ele já era parte da minha história, ainda que por pouco tempo. E que eu gostava bastante dele, de um outro jeito.
“Como eu posso ainda gostar dele?
“Para ele, depois de ter me contado sobre seu namoro, comecei a fazer mais parte de sua vida, enquanto eu o queria longe, porque junto dele vinha a lembrança da namorada dele, que tirou todas as minhas chances mais sérias antes que elas desabrochassem. Ele me ligava mais, me mandava fotos, parecia enfim disposto a me conhecer pessoalmente. Eu tinha medo de não conseguir falar com ele cara a cara, ou pior, falar o que eu realmente sentia, e acabar com a nossa amizade... Ele foi um amigo tão importante para mim... Foi, infelizmente.”
–Hm...
–Não queria perder o contato com ele. Queria poder ligar para ele agora. Mas como? Ele atenderia e nem se lembraria de mim!
–Por que você pensa assim? Se ele conversou tanto com você, há de se lembrar. E deve sentir saudades também.
–O que eu diria para ele, caramba?
–Diria que sente saudades e que tem coisas para falar com ele. Daí você marcaria de sair com ele e falaria tudo cara a cara!
–Que fácil dizer isso... Depois daquela briga, quando ele traiu a namorada, ele nunca falou nada de bom para mim. A gente só discutia, e discutia feio. Ele colocou um ponto final um dia, pois não queria mais falar comigo.
“Não devia ter me metido demais naquela história. Mas o jeito com que ele tratou aquilo foi tão mesquinho, egoísta... Aquilo me deixou sem palavras, porque eu achava que conhecia ele como a palma da minha mão, e aquela atitude só me provou o contrário e nos afastou.
“Por que eu ainda gosto dele, meu Deus?”

sábado, dezembro 06, 2008

Personal Serial Killer Tabajara Blóxsóris!!!

Aproxime-se colega estiloso e antenado na moda, sabe da última? Não? Não esteve em Paris semana passada? Não assistiu o último desfile da Gucci? Não viu as novidades na internet do seu iPhone banhado a ouro? Ai colega, quanta alienação, tome banho de sal grosso, espanta essa pobreza! Pois eu, sendo chique de doer, acabei de adquirir meu própio personal serial killer tabajara blóxsóris (que ainda me acha bonita!), comentarista e visitante deste humilde blog. Babe de inveja, colega, o meu próprio personal serial killer tabajara blóxsóris é uma nova moda totalmente descolada, diferente de tudo, luxo para poucos!
(Aguarde, pessoa do povo, quando essa ficar no passado, o que acontecerá na próxima estação, adiquira um personal serial killer tabajara blóxsóris num camelô pertinho de sua casa!)

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Não entendeu? Colega sem noção, vide os comentários do post de 24/10/08.

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Devido a encheções de saco freqüentes, vindas de conhecidos e desconhecidos, mudei as cores do blog. E é só isso o que eu tenho para dizer, não tendo paciência nenhuma de cuidar deste humilde blog durante minhas curtas férias em Fortaleza.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Unhas, um exagero

Um texto que difere totalmente dos temas que eu costumo encarar. Fútil, não.

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A manicure, toda solícita, me encaixa em seu horário, entendendo minha situação quase desesperadora. Não é minha primeira vez fazendo as unhas, mas é a primeira vez tendo unhas compridas, que precisam passar por um ritual de beleza. E as minhas unhas mereciam um pouco mais de atenção.
Ela, particularmente, não é muito de conversar. Além de um simpático boa tarde e um por ali, me indicando sua sala separada das demais, acompanhados por sorrisos que mostravam dentes bonitos, não me disse mais nada. Então aproveitei para pegar uma ou duas revistas de fofoca pelo caminho, que me ajudariam a passar o tempo silencioso com suas abobrinhas hilariantes.
Ela me colocou sentada em uma cadeira enquanto pegava suas ferramentas de trabalho devidamente esterilizadas. Abriu a primeira gaveta de um gaveteiro do meu lado, e disse para eu ir escolhendo a cor do esmalte, para agilizar depois. Examinei os incontáveis vidrinhos com uma mão, já que ela tinha começado a lixar a outra. Estavam separados por marca, cor e ordem alfabética. São muitos, porém de cores extremamente escuras, coisa que ainda é forte demais para a primeira vez. Tenho uma certa timidez, e sem pedir ajuda nem me impôr à paleta totalmente emo, me contentei com um mais ou menos cinza, com um toque de rosa.
Ela, mesmo no silêncio, percebeu minha indecisão, abriu a gaveta de baixo. “Estes são os vermelhos escuros e médios”, me guiou pelo universo de cores, no meu ponto de vista todas iguais. Abriu mais algumas, todas igualmente lotadas, “Vermelhos claros, rosas escuros. Rosas médios, rosas claros. Brancos, com glitter. Secagem rápida, importados. Marrons, roxos. E esta, outras cores.”
Fiquei paralisada, sentindo no fundo uma vontade de rir de mim mesma, e me imaginando por um mar de esmaltes, à procura da cor perfeita. Não imaginava essa quantidade exorbitante. Disse para ela, como que pedindo uma dica, que não gosto de nada muito chamativo, algo claro. Com a experiência da profissão, escolheu rápido em uma gaveta alguns esmaltes que talvez me encantassem. Realmente, eles eram bonitinhos. Mas aí ela revelou meu mais terrível medo: nomes de esmaltes.
“Prefere mais ‘Rosa do Meio-Dia’ ou talvez‘Amor Encantado’?”
Eu disse um ‘hein?’ tão alto que ela sorriu, perdoando minha ignorância e falta de cultura (mas eu nunca entendi e nunca vou entender esses nomes que querem despertar em nossa mente cores impossíveis, e nunca vou os decorar).
Limitou minha escolha a dois vidrinhos. Fiz um uni-du-ni-tê mental e escolhi o da direita. Ela disfarçou para não torcer o nariz, pois certamente preferia o da esquerda.
Após passar por esfoliantes, massagens, hidratantes, lixas, alicates e pincéis, minhas mãos ficaram bem bonitas. Na verdade, a cor do esmalte era exatamente a que eu queria, que na pura sorte achei naquela exagerada selva de cores infinitas.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Noites, Dias

Janeiro não vai chegar
As estrelas vão se apagar
E as broncas não vão cessar

A tatuagem de dragão não vai doer
A gelatina de framboesa vai derreter
Eu não vou te esquecer

O meu jeans não vai secar
O boletim não vai alegrar
E os gritos vão rolar

O disse-que-não-disse vai acontecer
Não passe a bola, estou tentando viver
Vai demorar para você entender

E se você se perguntar
Eu nunca vi o sol raiar
Sempre gostei de chorar

Quero mais é poder um pouco chover
Apontar o dedo, e sem culpa escolher
Em ficar com você